sexta-feira, 18 de julho de 2014

No meu canto

Não costumo ler o livro até o final
passo para a próxima faixa do cd assim que o solo começa
me sinto entediado assim que sento nessa cadeira velha
esse claro ecrã na minha frente quase sempre me dá náuseas.

o velho "Buk" esperava pela morte como uma velha amiga
esperava "como um gato que vai pular na cama"
bebia sozinho e acendia dezenas de cigarros aos 70.

E eu aqui
esperando um milagre,
um milagre não,
esperando que um míssil me atinja
pra me livrar logo dessa vida pacata.

olho para cima,
há uma escada,
uma válvula de escape.
mas há também um espinho,
o mesmo espinho que já veio a furar meus dedos.

não tenho coragem de tocá-lo novamente.
não mesmo.
acho que vou apodrecer aqui.
enquanto isso,
sento,
e continuo sentadom
sem fazer nada,
a espera de mim mesmo.

-R. Bukson

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