Durante todos os anos da minha adolescência
eu toquei em bandas
fazíamos shows em pequenos bares
que meias pareciam um amostra do inferno
menores bebendo e fumando como condenados à luz do sol,
meninas gordas jogadas as traças inconscientes nos cantos escuros.
Ao amanhecer muitos estavam dormindo na calçada.
As vezes os pais de alguém vinham até a festa
e buscavam seu filho alcoolizado e xingavam quem estivesse por perto.
As vezes chamavam a polícia, outras eram expulsos à garrafadas,
velhos babacas.
Tínhamos um baixista, Wagner
ele era um cara forte e com um jeito meio evocado com tudo,
adorava uma boa briga de bar, e chegava a torcer mentalmente
as garrafas de cerveja para que não contivessem mais nenhuma gota sequer.
Wagner me falara uma vez sobre sua prima,
Claire era seu nome,
uma menina loira, olhos verdes,
um pouco estranha e de poucos amigos.
Tinha um jeito meio estranho de se vestir e de andar,
nunca dei atenção para ela.
Passados os anos eu encontro a tal prima de Wagner,
uma mulher loira,
com peitos enormes, quase que caindo para fora da blusa,
uns olhos penetrantes e profundos, sorriso branco como jamais tinha visto,
seu cabelo era embalado pelo vento
e aquele seu rabo enorme implorando para sair por baixo da saia justa.
Claire não era mais a mesma,
com certeza a velha Claire não habitava mais aquele corpo.
Os homens se aproximava dela e ela apenas respondia: -300 contos otário.
A maioria dava meia volta.
Só restavam os velhos, barrigudos,
em suas caminhonetas grandes e espaçosas
seus bafos de uísque e suas tosses encatarradas pelo cigarro,
Tempos atrás eu mandava ela sair de perto
e agora só queria que ele me desse uma meia hora de atenção,
que me abraçasse com seus peitos enormes,
e socar a mão naquele rabo solto.
Claire faturava 300 mangos por noite e eu 35 por dia.
Não olhava mais para mim, nem olhará,
o que eu tenho a oferecer não é mais o que ela precisa.
A vida por meus olhos
Amante da Subliteratura, amante da chuva e das mulheres, mero observador da vida. blogbuks@gmail.com
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
terça-feira, 19 de agosto de 2014
Capítulo 2
Ontem eu estava para naquele sofá velho
com uma das pernas em cima do braço esquerdo
e a outra no chão
batendo as cordas enferrujadas da velha guitarra vermelha
captadores humbuckers americanos e o braço um pouco empenado
mas seu som igualmente saía parecido com algo feito por Chuck Berry
ou algo um pouco mais recente.
De repente um estrondo na porta da frete,
era Joe.
Me levantei do sofá.
Abri a porta.
Eu estava de meias, e o chão estava frio
e lá fora uma camada fina branca cobria os carros.
Disse a Joe que entrasse,
ele vestia um sobretudo preto e um cachecol velho marrom,
seus dedos das mãos estavam roxos de frio
e os pés úmidos.
-O que faz por esses lados a essa hora cara? - Perguntei
-Nada que te interesse! - Joe respondeu tirando duas garrafas de vinho de dentro do sobretudo.
De certa forma fiquei feliz em vê-lo.
Estava sendo uma longa noite,
só eu e a velha Gibson.
Sentamos nas poltronas da sala juntos da lareira,
busquei um saca-rolhas e duas taças,
abrimos uma garrafa do tinto, bebemos.
Dei algumas goladas e acendi um cigarro,
Minha ex mulher me mandava não fumar,
claro que eu não escutei o que ela dizia,
mas de certa forma ficava tranquilo de estar bebendo vinho
ao invés do uísque.
Me lembro de uma vez que eu e Joe estávamos
correndo na saída da escola depois que levantara o vestido da uma das alunas do 2º ano,
Bety era o nome dela, ela tinha seios enormes e uma bunda que dava gosto de apertar,
nós corremos dos professores e do pai da garota,
corremos por umas onze quadra até entrarmos em um beco.
Não conseguíamos nem falar de tão ofegantes.
No fim não valeu a pena a correria, pois Bety usava uma calcinha
maior que sua bunda, lembro-me de ter visto uma calcinha daquele tamanho uma vez
no varal da mãe do Joe, acho que ela beira os 47 e não é nenhum pouco atraente,
o que é bom de certa forma, pois como eu não saía da casa dele naquela época
e tinha uma certa intimidade com sua mãe, não queria criar desavenças com meu amigo.
Ouvíamos rádio pelo menos umas duas horas por dia quando estávamos sentados
na sacada que havia depois da janela do seu quarto.
A mãe dele, Elza, saía por volta das sete da manhã e voltava para casa perto das dez da noite,
Joe nunca me disse no que ela trabalhava, e eu também não perguntaria, acho que tinha um pouco de receio.
Ficávamos sentados na sacada com os pés balançando suspensos na beirada,
ouvindo rádio e fumando todas as caixas de charuto que o pai de Joe deixava na porta de baixo
do pequeno armário de bebidas que tinha na sala de estar no andar de baixo.
Embora Joe tivesse um pai e frequentemente comentasse algo a seu respeito
eu nunca tinha o visto, mas ele era meu parceiro, mesmo que ele estivesse sonhando
isso não importava para mim.
nos áureos tempos da nossa adolescência estávamos com 16 anos,
e todo o dia fielmente, bebíamos vinho ou cerveja e fumávamos os grandes charutos do pai do Joe.
Não sabia se o pai dele era real, mas os charutos eram, e o vinho também.
Agora estávamos alí, beirando os cinquenta, sentados no chão descalços em frente a lareira,
fumando maços de cigarro, e almejando por mais umas gotas da segunda garrafa do tinto.
Ainda éramos os mesmos, Henry e Joe, na infância nós lutávamos todos os dias contra o mundo,
e agora parecíamos, derrotados por ele.
Na verdade não estávamos derrotados, eu definiria como um grande teatro,
onde não éramos mais os protagonistas e sim a plateia,
e todo o resto do mundo contracenava em um grande palco,
e nós sentados na platéia, apenas nós naquele enorme número de cadeiras,
assistíamos e ríamos da cara deles.
-Eles estão cada vez mais longe de nós! - Disse ao Joe.
com uma das pernas em cima do braço esquerdo
e a outra no chão
batendo as cordas enferrujadas da velha guitarra vermelha
captadores humbuckers americanos e o braço um pouco empenado
mas seu som igualmente saía parecido com algo feito por Chuck Berry
ou algo um pouco mais recente.
De repente um estrondo na porta da frete,
era Joe.
Me levantei do sofá.
Abri a porta.
Eu estava de meias, e o chão estava frio
e lá fora uma camada fina branca cobria os carros.
Disse a Joe que entrasse,
ele vestia um sobretudo preto e um cachecol velho marrom,
seus dedos das mãos estavam roxos de frio
e os pés úmidos.
-O que faz por esses lados a essa hora cara? - Perguntei
-Nada que te interesse! - Joe respondeu tirando duas garrafas de vinho de dentro do sobretudo.
De certa forma fiquei feliz em vê-lo.
Estava sendo uma longa noite,
só eu e a velha Gibson.
Sentamos nas poltronas da sala juntos da lareira,
busquei um saca-rolhas e duas taças,
abrimos uma garrafa do tinto, bebemos.
Dei algumas goladas e acendi um cigarro,
Minha ex mulher me mandava não fumar,
claro que eu não escutei o que ela dizia,
mas de certa forma ficava tranquilo de estar bebendo vinho
ao invés do uísque.
Me lembro de uma vez que eu e Joe estávamos
correndo na saída da escola depois que levantara o vestido da uma das alunas do 2º ano,
Bety era o nome dela, ela tinha seios enormes e uma bunda que dava gosto de apertar,
nós corremos dos professores e do pai da garota,
corremos por umas onze quadra até entrarmos em um beco.
Não conseguíamos nem falar de tão ofegantes.
No fim não valeu a pena a correria, pois Bety usava uma calcinha
maior que sua bunda, lembro-me de ter visto uma calcinha daquele tamanho uma vez
no varal da mãe do Joe, acho que ela beira os 47 e não é nenhum pouco atraente,
o que é bom de certa forma, pois como eu não saía da casa dele naquela época
e tinha uma certa intimidade com sua mãe, não queria criar desavenças com meu amigo.
Ouvíamos rádio pelo menos umas duas horas por dia quando estávamos sentados
na sacada que havia depois da janela do seu quarto.
A mãe dele, Elza, saía por volta das sete da manhã e voltava para casa perto das dez da noite,
Joe nunca me disse no que ela trabalhava, e eu também não perguntaria, acho que tinha um pouco de receio.
Ficávamos sentados na sacada com os pés balançando suspensos na beirada,
ouvindo rádio e fumando todas as caixas de charuto que o pai de Joe deixava na porta de baixo
do pequeno armário de bebidas que tinha na sala de estar no andar de baixo.
Embora Joe tivesse um pai e frequentemente comentasse algo a seu respeito
eu nunca tinha o visto, mas ele era meu parceiro, mesmo que ele estivesse sonhando
isso não importava para mim.
nos áureos tempos da nossa adolescência estávamos com 16 anos,
e todo o dia fielmente, bebíamos vinho ou cerveja e fumávamos os grandes charutos do pai do Joe.
Não sabia se o pai dele era real, mas os charutos eram, e o vinho também.
Agora estávamos alí, beirando os cinquenta, sentados no chão descalços em frente a lareira,
fumando maços de cigarro, e almejando por mais umas gotas da segunda garrafa do tinto.
Ainda éramos os mesmos, Henry e Joe, na infância nós lutávamos todos os dias contra o mundo,
e agora parecíamos, derrotados por ele.
Na verdade não estávamos derrotados, eu definiria como um grande teatro,
onde não éramos mais os protagonistas e sim a plateia,
e todo o resto do mundo contracenava em um grande palco,
e nós sentados na platéia, apenas nós naquele enorme número de cadeiras,
assistíamos e ríamos da cara deles.
-Eles estão cada vez mais longe de nós! - Disse ao Joe.
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
Cabelos escuros, pele clara
A dias que não tiro ela dá cabeça
ou talvez ela mesma não faça questão de sair.
Ontem a tarde ventava muito,
embora tivesse sol estava razoavelmente frio.
Tive de fazer uma ida a Porto Alegre naquela tarde.
Embora eu adore a capital, a as lembranças que ela me traz,
parece que tem cada vez mais pessoas ocupando mesmo espaço.
por volta das sete da noite terminara meus afazeres por lá
e me dirigi a estação do metrô,
metade do caminho tive de vir em pé,
mas tudo bem.
chegando no meu destino parei para amarrar os sapatos,
e quando me levanto olho para a janela do vagão a frente do meu,
ela estava lá, linda, como nas fotos que havia visto,
embora nunca tenhamos nos conhecido oficialmente,
simpaticamente ela me abanou,
fiquei sem reação,
o trem começou seguir em frente,
abanei de volta.
Não sei se foi uma coincidência das grandes.
Não tirava ela da cabeça,
agora,
mais do que nunca.
ou talvez ela mesma não faça questão de sair.
Ontem a tarde ventava muito,
embora tivesse sol estava razoavelmente frio.
Tive de fazer uma ida a Porto Alegre naquela tarde.
Embora eu adore a capital, a as lembranças que ela me traz,
parece que tem cada vez mais pessoas ocupando mesmo espaço.
por volta das sete da noite terminara meus afazeres por lá
e me dirigi a estação do metrô,
metade do caminho tive de vir em pé,
mas tudo bem.
chegando no meu destino parei para amarrar os sapatos,
e quando me levanto olho para a janela do vagão a frente do meu,
ela estava lá, linda, como nas fotos que havia visto,
embora nunca tenhamos nos conhecido oficialmente,
simpaticamente ela me abanou,
fiquei sem reação,
o trem começou seguir em frente,
abanei de volta.
Não sei se foi uma coincidência das grandes.
Não tirava ela da cabeça,
agora,
mais do que nunca.
terça-feira, 5 de agosto de 2014
sexta-feira, 1 de agosto de 2014
a vida
Nessa vida
Nós nascemos,
nós morremos.
E no meio disso
Nós nos permitimos...
Quem dera ser assim,
passamos a maior parte do tempo
falando bobagem ou escrevendo poemas,
sentados no sofá bebendo um vinho,
ou uma cerveja quente.
Deixamos as janelas fechadas
e a grama alta.
Os cachorros famintos
e a camisa manchada com molho tomate.
A poeira envolvendo os armários
e meu telefone tocando em outro cômodo
e eu com preguiça de me levantar.
A única coisa que me impede de
rever meus velhos amigos
sou eu mesmo.
Eles continuam todos lá,
talvez como eu, pois ninguém aparece aqui há dias...
Fico meio preocupado,
não por ninguém vir me ver,
mas por talvez eu ser o último que restou
dessa espécie de babacas.
-R. Bukson
Nós nascemos,
nós morremos.
E no meio disso
Nós nos permitimos...
Quem dera ser assim,
passamos a maior parte do tempo
falando bobagem ou escrevendo poemas,
sentados no sofá bebendo um vinho,
ou uma cerveja quente.
Deixamos as janelas fechadas
e a grama alta.
Os cachorros famintos
e a camisa manchada com molho tomate.
A poeira envolvendo os armários
e meu telefone tocando em outro cômodo
e eu com preguiça de me levantar.
A única coisa que me impede de
rever meus velhos amigos
sou eu mesmo.
Eles continuam todos lá,
talvez como eu, pois ninguém aparece aqui há dias...
Fico meio preocupado,
não por ninguém vir me ver,
mas por talvez eu ser o último que restou
dessa espécie de babacas.
-R. Bukson
Hoje
Hoje chove lá fora
e faz calor aqui dentro
um abafado dos infernos,
Sinto que ela está pensando em mim...
não sei porque,
mas tenho tido essa sensação nos últimos dias,
aquele sorriso,
aquele cabelo preto,
os olhos brilhando para as fotos...
será que ela sabe que eu existo?
espero que sim.
será que eu sei que eu existo?
espero que sim.
e faz calor aqui dentro
um abafado dos infernos,
Sinto que ela está pensando em mim...
não sei porque,
mas tenho tido essa sensação nos últimos dias,
aquele sorriso,
aquele cabelo preto,
os olhos brilhando para as fotos...
será que ela sabe que eu existo?
espero que sim.
será que eu sei que eu existo?
espero que sim.
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