quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Durante todos os anos da minha adolescência
eu toquei em bandas
fazíamos shows em pequenos bares
que meias pareciam um amostra do inferno
menores bebendo e fumando como condenados à luz do sol,
meninas gordas jogadas as traças inconscientes nos cantos escuros.
Ao amanhecer muitos estavam dormindo na calçada.
As vezes os pais de alguém vinham até a festa
e buscavam seu filho alcoolizado e xingavam quem estivesse por perto.
As vezes chamavam a polícia, outras eram expulsos à garrafadas,
velhos babacas.
Tínhamos um baixista, Wagner
ele era um cara forte e com um jeito meio evocado com tudo,
adorava uma boa briga de bar, e chegava a torcer mentalmente
as garrafas de cerveja para que não contivessem mais nenhuma gota sequer.
Wagner me falara uma vez sobre sua prima,
Claire era seu nome,
uma menina loira, olhos verdes,
um pouco estranha e de poucos amigos.
Tinha um jeito meio estranho de se vestir e de andar,
nunca dei atenção para ela.
Passados os anos eu encontro a tal prima de Wagner,
uma mulher loira,
com peitos enormes, quase que caindo para fora da blusa,
uns olhos penetrantes e profundos, sorriso branco como jamais tinha visto,
seu cabelo era embalado pelo vento
e aquele seu rabo enorme implorando para sair por baixo da saia justa.
Claire não era mais a mesma,
com certeza a velha Claire não habitava mais aquele corpo.
Os homens se aproximava dela e ela apenas respondia: -300 contos otário.
A maioria dava meia volta.
Só restavam os velhos, barrigudos,
em suas caminhonetas grandes e espaçosas
seus bafos de uísque e suas tosses encatarradas pelo cigarro,
Tempos atrás eu mandava ela sair de perto
e agora só queria que ele me desse uma meia hora de atenção,
que me abraçasse com seus peitos enormes,
e socar a mão naquele rabo solto.
Claire faturava 300 mangos por noite e eu 35 por dia.
Não olhava mais para mim, nem olhará,
o que eu tenho a oferecer não é mais o que ela precisa.

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